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Segmento infanto-juvenil: pequeno grande negócio
04/07/2011
Segundo dados do IBGE, o contingente de crianças no Brasil diminuiu nos últimos dez anos. Hoje, apenas 7,79% da população brasileira tem idade entre 5 e 9 anos. Entretanto, os pequenos ainda são capazes de influenciar as compras de toda sua família. Pesquisa feita pela IPSOS a pedido da ABRASCE (Associação Brasileira de Shoppings Centers) mostrou que 38% dos pais entrevistados reconhecem que seus filhos escolhem as próprias roupas e acessórios. Outra informação do levantamento que comprova como o mercado infantil tem potencial para crescer cada vez mais é a de que 44% das pessoas ouvidas gastam mais do que esperavam quando vão ao shopping com a garotada.
A adaptação de artigos que atinjam em cheio o gosto de crianças pôde ser vista durante a FIT 0/16, Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil e Bebê, que aconteceu de 19 a 22 de junho, em São Paulo. Os expositores se dividiam entre roupas clássicas, com cores convencionais, e peças mais ousadas, que trazem a imagem do “mini-adulto” à tona.
Apostando em uma tendência crescente em transformar looks de gente grande em versões infantis está a Joy, empresa integrante do Grupo Morena Rosa, que trouxe para o evento uma coleção de moda praia para meninas com as mesmas estampas e modelagens usadas para mulheres. A diferença está na inclusão de alguns adereços românticos nas peças, como fita s, laços e babados. Além desta linha, a companhia também investe em vestuário casual com florais, xadrezes e transparência. Carla Siq, coordenadora de marketing da grife, explica o perfil de seus clientes. "Nossos produtos são feitos a partir de uma pesquisa de comportamento e de opinião de nossos consumidores, pois muitas vezes a mãe quer que sua filha se vista como ela, por isso investimos neste formato", afirma.
Outra marca que apresentou modelos que fogem da convencional estampa de desenhos animados é a Drubz, que usa tecidos nobres e mais arrojados, que vão do memory aos tules e rendas. Mariana Drubscky, responsável pelo estilo da confecção, revela que para criar para esse público é preciso reconhecer as suas necessidades. “Nós procuramos entender o universo das meninas que estão na pré-adolescência e querem participar de novos mundos. Também nos baseamos em tendências para adultos e as adaptamos para a inocência desta idade”, destaca a estilista.
Mas ainda existem empresas que não aderiram à toda essa modernidade, como é o caso da Bug Bee, que apesar de ter fechado uma parceria com o renomado estilista Amir Slama, preserva os principais aspectos das roupas para criança. Sua coleção de verão traz uma mescla entre tons mais sóbrios e claros, além de modelagens mais clássicas como saias bem rodadas e babados. Mesmo as peças desenvolvidas pelo famoso designer contam com elementos que remetem à infância, como doces de confeitaria. Juliana Amorim, coordenadora de marketing da companhia, afirma que a Bug Bee possui uma clientela que prefere este tipo de produto. “Os consumidores nos procuram justamente por causa do estilo que seguimos, pois não querem que seus filhos deixem de ser crianças”, esclarece Amorim.
A Hering Kids segue a mesma linha, pois apesar de ter algumas peças mais arrojadas como a saruel jeans para bebês, trabalha com um apelo mais lúdico e opções divertidas. A grife lançou camiseta com estampa que simula uma lousa, onde a meninada pode desenhar e apagar quantas vezes quiser. Wallace Oliveira, gerente comercial da companhia, explica a ideia de criação da Hering Kids. “Trabalhamos conceitos de moda, mas as coleções são democráticas, confortáveis e com um espírito de peraltice”, declara.
A visão dos lojistas
Na visão dos lojistas, existe espaço para ambos os estilos, tanto para o que preserva as características clássicas do vestuário infantil, quanto para o que transforma a garotada em “mini-adultos”. Fernanda Domingues, diretora da loja Água Fresca, de Minas Gerais, aprova as inovações.
“Esse novo jeito dos pequenos se vestirem agrada muito aos frequentadores do meu comércio”, enfatiza. Compartilhando da mesma ideia, Maria das Dores, da butique Meu Xodó, afirma que procura algo que mostre a nova identidade das crianças. “As estampas românticas e modelagens sofisticadas com apelo fashion tem uma boa saída”, garante a comprada.
Já Neide Eliotério, proprietária do Armarinho da Criança, do Piauí, observa que tanto os clássicos quanto os sofisticados têm lugar garantido. “Os filhos dos meus clientes pedem roupas modernas, que vendem muito bem, mas as peças tradicionais sempre estão na lista de compras”, avaliou a executiva.
Fonte: ABIT
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